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Cacau do Sul da Bahia terá selo de Indicação Geográfica

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ImprimirReportar erroTags:empresários, doença, produtivos, destruiu, bruxa, vassoura, chamada e disseminação661 palavras10 min. para ler
Cacau do Sul da Bahia terá selo de Indicação GeográficaVer imagem ampliada
Empresários finalizam etapa junto ao INPI que deve agregar valor ao produto.

Enquanto no último fim de semana, o chocolate gourmet do sul da Bahia era uma das deliciosas e mais concorridas atrações do Salon du Chocolat, em Paris, produtores da região comemoravam, em Ilhéus, um outro feito histórico: na sexta-feira (31), reunidos em assembleia no Espaço Cultural Bataclan, eles apresentaram a documentação que será depositada no Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI ), com o aval do Ministério da Agricultura, para a criação da Identidade Geográfica (IG) do cacau sul-baiano.

“As instituições atentaram para o fato de que a IG é importante como elemento de agregação de valor e controle de qualidade dos produtos registrados“, argumentou o presidente da Associação Cacau Sul da Bahia, Rodrigo Barreto.

A associação lidera o movimento de conquista da identificação geográfica, com apoio do Sebrae, através de ação do Projeto Indústria Setorial Ilhéus. “A identificação vai mostrar ao mundo a origem de nosso cacau e esse reconhecimento é um passo decisivo para o crescimento do setor“, afirmou o gestor do projeto, Eduardo Andrade.

No documento protocolado junto ao INPI - a decisiva etapa para se conquistar a IG -, a Associação Cacau Sul da Bahia apresenta as condicionantes para a conquista do selo, a exemplo do regulamento de uso, estudo histórico-cultural da região envolvida e o mapa cartográfico com a abrangência geográfica do produto. O documento, que demorou seis anos para ser concluído, é composto por quase 500 páginas com informações e critérios da produção de qualidade do cacau especial da região, que já tem resultado na produção de chocolates finos degustados em todo o mundo.

Quando for reconhecido pelo INPI, a IG do Cacau do Sul da Bahia envolverá uma área de cultivo estimada em 600 mil hectares, em 83 municípios que produzem 300 mil toneladas de cacau por ano em seis territórios regionais: Baixo Sul, Médio Rio de Contas, Médio Sudoeste da Bahia, Litoral Sul, Costa do Descobrimento e Extremo Sul. Será a mais extensa IG brasileira. A Região Sul da Bahia é uma Indicação de Procedência (IP) reconhecida historicamente como produtora de cacau de alta qualidade.

A elaboração do documento contou também com o apoio dos Institutos Cabruca e Arapyaú, Sebrae, Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Universidade Federal do Sul da Bahia e IF Baiano.

 

Recomeço

Nas últimas décadas, o cacau sofreu com a disseminação de uma doença chamada “vassoura-de-bruxa“, que destruiu milhares de hectares produtivos e levou uma parte significativa dos cacauicultores a abandonar suas propriedades rurais.

Muitos dos que conseguiram sobreviver à crise reencontram, agora, o caminho de um bom negócio, que traz consigo o apelo do marketing ecológico (as fazendas de cacau ficam encravadas em regiões com forte apelo de preservação ambiental por conta do sistema cabruca, um modelo sustentável de agricultura tropical) e do marketing da saúde (o chocolate é um produto rico em calorias e, quanto mais puro, mais saudável é).

“Não foi só o produto que vivenciou uma crise. O produtor também, porque ele não sabia como poderia viver sem sua produção“, sentenciou o presidente do Instituto Cabruca, Durval Libânio, um dos idealizadores do trabalho. “Mas, agora, é possível perceber que tudo que era bom como antes da crise, pode ser ainda melhor“, completou.

Quarta geração da família na produção de cacau, Rodrigo Barreto, presidente da associação, é um dos entusiastas da criação do IG do Cacau. Nos dias 29 e 30 de outubro, a convite do Sebrae de Ilhéus, ele participou, em Belo Horizonte, do Seminário Internacional de IG e Marcas Coletivas. O evento reuniu todas as IGs brasileiras e contou com 300 participantes, representando 47 IGs já registradas e mais 10 em fase de análise, como é o caso da do Cacau.

Em 2011, o Brasil contava com apenas 11 IGs. Rodrigo Barreto foi convidado pelo Sebrae, parceiro do INPI neste evento, e participou de uma mesa-redonda sobre o tema IG como ferramenta de agregação de valores e produtos protegidos.

Fonte: abpi.empauta.com

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