Obs.: a página impressa não é necessariamente idêntica à página exibida na tela.
Voltar ao topo.

Empresários consideram baixo o grau de inovação no país, mostra pesquisa

AnteriorPróximo
« Anterior« Última» Próxima» Primeira
ImprimirReportar erroTags:recursos, mix, fazem, públicas, instituições, captados, últimos e associação656 palavras10 min. para ler
Seis em cada dez empresários consideram o grau de inovação da indústria baixo ou muito baixo, indica pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O restante considera esse nível apenas regular.
 
Para o futuro, as expectativas também não são das mais positivas: metade das empresas avalia que nos próximos cinco anos o grau de inovação da indústria não será nem alto nem baixo.
 
O atraso em relação a outros países e a ênfase local dada à importação ou à cópia foram apontados por 42% dos entrevistados como as principais causas do nível baixo de inovação, seguidos pela percepção de que faltaria cultura de inovação às empresas em geral. As razões apontadas são sinais importantes de que os empresários estão chamando para si a responsabilidade por um problema que envolve outros atores: no Brasil, segundo dados mais recentes, investe-se cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas mais da metade disso vem do governo.
 
“As empresas trazem para si a importância de serem protagonistas nesse processo, o que é inédito em pesquisa“, diz Paulo Mol, superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lódi (IEL), o braço de inovação da CNI. Segundo ele, lá fora o setor privado investe mais, mas o investimento público alavanca o privado. “No Brasil, são agendas praticamente separadas. Falta casamento do incentivo público com os interesses privados“, diz.
 
Questões que independem somente das empresas também foram destaque, como escassas políticas de incentivo, difícil interlocução com universidades e baixo nível de educação de profissionais. O cenário de crise também não foi esquecido: 14,5% das empresas ouvidas o apontam como causa do baixo nível de inovação.
 
Ainda assim, 57% das empresas disseram que vão “aumentar“ ou “aumentar muito“ os investimentos em inovação nos próximos anos, mesmo em meio a expectativas de baixo crescimento econômico. Entre as empresas de grande porte, 37,5% destinam mais de 5% do faturamento à inovação. No grupo de pequeno e médio porte esse percentual é de 22%.
 
Embora a importação e a cópia estejam entre os itens que justificam o nível ruim de inovação, Mol ressalta que a agenda de redução de defasagem tecnológica copiando ou importando é importante. “O que não pode é ser uma agenda quase que exclusiva“, diz, ao lembrar que 38% das empresas são consideradas inovadoras justamente porque trazem tecnologia de fora, segundo dados oficiais.
 
Os entrevistados também apontam avanços nos últimos anos. No financiamento à inovação, recursos captados em instituições públicas fazem parte do mix de financiamento de 55% das empresas. A criação da Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), focada em projetos de pesquisa no setor industrial, e uma maior celeridade na avaliação de processos na Finep também são, segundo Mol, pontos positivos.
 
Ele lembra, porém, que em outros países há parcela substancial de crédito subvencionado. “Lá fora, o governo entra como parceiro da ideia, o que ainda não é muito comum por aqui“. Para Mol, é preciso ouvir os empresários para saber onde estão os projetos de maior inovação, que se concentram em setores específicos, como o farmacêutico ou de eletrônicos.
 
A palavra mais ouvida durante a pesquisa foi “desburocratização“. “Eles querem um ambiente em que a resposta a um pedido de patente não demore dez ou doze anos“, diz Mol. Segundo a pesquisa, o governo precisa simplificar tributos e ampliar ou baratear financiamento. Na questão educacional, o foco são os cursos de engenharia e formações correlatas e a percepção é que falta adequação. Em uma escala crescente de zero a dez, a qualidade dos cursos de engenharia, contudo, recebeu a melhor nota (6,1), seguida por sistemas de financiamento à inovação, com 5,3. Na outra ponta, propriedade intelectual e centros de pesquisa ficaram com 4,4 cada.
 
Entre as referências em inovação, os EUA se destacaram, seguidos por Alemanha, Coreia do Sul, Japão e China. O estudo ouviu líderes de 60 pequenas e médias empresas e de 40 de grande porte de setores como bens de consumo e de capital, químico e petroquímico, construção civil, automotivo e farmacêutico, dentre outros.
 


Fonte: abpi.empauta.com

Compartilhar página nas rede sociais:
CompartilharCompartilharTweetarCompartilharPin it